A tabela REPRODUÇÃO

Onde o óvulo e o espermatozóide se encontram

A tabela reprodução contém informação sobre o modo de reprodução, frequência de postura, se existem várias posturas ou não, e o padrão reprodutivo a que cada espécie corresponde. A descrição do ciclo de vida, do comportamento, do acasalamento e postura, também estão presentes nesta tabela.

Campos

O modo de reprodução (Mode): está classificado nas seguintes escolhas: dioiecismo; protândrismo; protogenia; verdadeiro hermafroditismo; partenogénese.

O modo de Fecundação: refere-se aonde o óvulo e o espermatozóide se encontram, o que pode ser externo, interno (oviduto), na boca, em bolsas externas ou estruturas similares, ou outros.

A frequência da postura é descrita pelas seguintes escolhas: um pico sazonal por ano (i.e., a época de postura é curta, com duração de apenas umas semanas ou meses e pouca ou nenhuma postura ocorre fora dessa época); todo o ano, tendo um pico (i.e., a postura ocorre durante todo o ano, mas existe um largo pico sazonal); dois picos sazonais por ano (i.e., a postura pode ocorrer durante todo o ano, mas dois picos são claramente visíveis (geralmente um maior que o outro, separados por 5 a 7 meses); sem nenhum pico sazonal (i.e., a postura decorre todo o ano, sem nenhum pico sazonal bem definido); variável através das opções anteriores (i.e., a postura ocorre como nas primeiras e segundas escolhas nas latitudes mais elevadas e como na terceira e quarta nas latitudes mais baixas); uma vez na vida (i.e., a postura ocorre apenas uma vez e é geralmente seguida da morte do indivíduo). É de notar que este campo se refere às espécies em geral e que a frequência de postura pode ser diferente nas populações que se encontram no limite de distribuição geográfica (latitude) da espécie.

Reprodutor múltiplo: campo que indica se os indivíduos têm uma postura múltipla durante a época de postura.

A classificação da estratégia de reprodução segue a sugerida por E. Balon

Estratégia de reprodução: é descrita na combinação de dois campos de escolha, seguido por uma classificação sugerida por Balon (1990). O primeiro campo apresenta o tipo de cuidados parentais com as escolhas: Não guardam; Guardam; Transportam. O segundo campo refere-se ao padrão de protecção dos ovos ou juvenis, com as escolhas: postura em substrato aberto (sem guardião, os ovos são deixados após a postura na coluna de água ou no substrato, ex: rochas, gravilha, areia, plantas, etc.); postura escondida (sem guardião, os ovos são colocados em locais imperceptíveis, ex. grutas, fendas de rochas, depressões na areia, dentro de invertebrados vivos, etc.); guardião de ovos (não fazem ninho, mas guardam os ovos à superfície, ou por baixo de objectos ou nalgum substrato, ex. rochas, plantas, etc.); construtor de ninho (peixes que depositam e guardam os ovos em ninhos, ex. bolas de muco, rochas, gravilha, areia, buracos, na base de anémonas, plantas, etc,); portadores externos (peixes que incubam os ovos externamente no corpo, ex. bolsas, boca, cavidades branqueais, barbatanas pélvicas, etc.); portadores internos (fertilizam os ovos internamente, sendo o desenvolvimento também interno, no corpo da mãe.)

Descrição do Ciclo de Vida e Acasalamento: Informação sobre o ciclo de vida, acasalamento e comportamento de postura não incluídos nesta lista de escolhas, e outras informações.

Caixa 25. A distribuição de hermafroditismo por latitude.

A forma mais comum de distribuição das gónadas em peixes é para as fêmeas desenvolverem ovários e os machos testículos, e de assim funcionarem de modo "dióico".

Contudo, em alguns grupos, indivíduos que inicialmente eram fêmeas tornam-se machos ou o contrário. É mais raro a ocorrência e funcionamento dos dois aparelhos reprodutores em simultâneo no mesmo indivíduo (verdadeiro hermafroditismo), apenas conhecido em Rivulus marmoratus.

As espécies de peixes em que existe predominância das formas de hermafroditismo mais comuns (o oposto de ocorrer em indivíduos isolados) representam apenas uma pequena percentagem da totalidade das espécies de peixes, e estão concentradas em famílias como Serranidae, Labridae, e Scaridae, e em baixas latitudes.

As percentagens exibidas no gráfico de hermafroditismo por latitude (Fig. 36) não são tão precisas como seria desejável, uma vez que o gráfico pode ser utilizado para gerar resultados assumindo apenas que todas as espécies actualmente sem entrada no campo "Modo" da tabela REPRODUÇÃO são dióicas. O preenchimento deste campo para todas as espécies pode conduzir a alterações da forma do gráfico, que apresenta no momento uma diminuição no Equador, e onde se espera que esteja o máximo.

Daniel Pauly

 


Fig. 36. Percentagem de peixes hermafroditas em relação à variação de latitude. Consulte a Caixa 25.
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Estado

Até à data a tabela REPRODUCÇÃO contém mais de 3000 registos para mais de 2900 espécies, extraídas de cerca de 250 referências. Planeia-se aumentar drasticamente a cobertura de formas de reprodução, utilizando os clássicos Breder & Rosen (1966), Thresher (1984).

Gráficos

Pode ser criado um gráfico de hermafroditismo vs latitude (Fig. 36) (veja a Caixa 25). Pode aceder a este gráfico clicando consecutivamente nos seguintes botões: Relatórios no Menú Principal, Gráfico na tabela Relatórios Pré-definidos, Reprodução e Estados Iniciais na tabela Gráficos e Hermafroditismo vs latitude.

Como chegar lá

Chega-se à tabela REPRODUÇÃO clicando no botão Biologia na tabela ESPÉCIES, no botão Reprodução na tabela BIOLOGIA e no botão Reprodução na janela REPRODUÇÃO.

Referências

Balon, E.K. 1990. Epigenesis of an epigeneticist: the development of some alternative concepts on the early ontogeny and evolution of fishes. Guelph Ichthyol. Rev. (1):1-48.

Breder, C.M., Jr. and D.E. Rosen. 1966. Modes of reproduction in fishes. T.F.H. Publications, Neptune City. 941 p.

Lagler, K.F., J.E. Bardach, R.R. Miller and D.R. May-Passino. 1977. Ichthyology. 2nd ed. John Wiley and Sons, New York. 506 p.

Thresher, R.E. 1984. Reproduction in reef fishes. T.F.H. Publications, Neptune City. 399 p.

Armi Torres